A violência toma conta do futebol catarinense

Um dia desses estava conversando com alguns amigos avaianos sobre a chatisse que o futebol estava virando. Os "foguetes e bandeiras" da música O Campeão de Neguinho da Beija-Flor, já estão proibidos há pelo menos uma década na Ressacada. Além disso, recentemente, o STJD disse que irá investigar os gritos das torcidas organizadas do São Paulo e Corinthians quanto ao conteúdo homofóbico. Qual nova medida estaria por vir no futuro? O árbitro relatar na súmula que a torcida o chamou de ladrão e o time ser punido?
Mas a resposta para isso tudo está na violência crescente entre as torcidas organizadas no nosso estado.
Não é de hoje que a selvageria entre torcidas organizadas ocorre de forma frequente dentro de Santa Catarina. Não precisamos ir muito longe para ver por exemplo o absurdo que ocorreu na Ressacada, onde a Polícia Militar precisou isolar nada menos do que quatro torcidas organizadas, duas de Santa Catarina, para que não se degladiassem.
Voltando um pouco mais no tempo, no 2005, houve até tiro de arma de fogo da torcida do Marcílio Dias, de Itajaí, dentro do estádio Hercílio Luz, em um jogo contra o Joinville. Neste episódio, o torcedor do Joinville Rafael César Bueno foi atingido por um tiro de revólver calibre 22 na cabeça, perdendo a visão do olho direito.
Em 2006, após um jogo contra o Avaí, o jovem torcedor do Joinville Júlio César Ganzer da Cruz, de apenas 17 anos, foi morto após ser atingido por uma pedra enquanto voltava para casa no ônibus da torcida. Até hoje o caso não foi esclarecido e não se sabe se foram torcedores de Avaí ou Figueirense os responsáveis pelo assassinato.
Em 2008, o Avaí foi até Criciúma e lá, criminosos travestidos de torcedores avaianos atiraram uma bomba em direção à torcida da casa e acabaram decepando a mão do Seu Ivo, um idoso, torcedor do Criciúma. Apenas quatro anos depois, os dois criminosos responsabilizados pelo fato foram condenados à quatro anos e oito meses de prisão.
Este ano ainda, pelo turno da Série B, houve uma briga entre torcedores do JEC e Avaí nos arredores do estádio da prefeitura de Joinville. Isso aliás é costumeiro: alguns marginais da casa costumam esperar a torcida visitante em um terreno baldio que fica ao lado da entrada do time adversário e assim, cometer atos de violência e depredação dos carros dos visitantes. E já não bastasse isso, no retorno para Florianópolis, integrantes da torcida organizada do Avaí foram atacados pela organizada do JEC, que fez questão de postar nas redes sociais as fotos dos uniformes ensanguentados da torcida avaiana.
E esta semana, mais um inocente torcedor pagou com sua vida. Desta vez, foi o avaiano João Grah, após emboscada de bandidos, integrantes da torcida organizada Furia Marcilista, do clube Marcílio Dias, de Itajaí (que nem competição oficial está disputando no momento).

Integrantes da torcida Furia Marcilista assassinam o torcedor avaiano João Grah. Reprodução

Os marginais, aguardaram em cima de um viaduto na BR101, no norte do estado e jogaram pedras em uma van de torcedores avaianos que retornavam do empate em 1x1 contra o Paraná. A van não era de torcida organizada. João era um torcedor comum, apaixonado pelo seu clube assim como nós. E isso que nos deixa ainda mais perplexos: poderia ser qualquer um de nós.
Aí ficam as questões: será que adianta promover paz no jogo de volta entre Avaí e JEC na Ressacada, se marginais não pagam de forma dura e justa pelos seus atos? Precisarão morrer quantos Joãos e Júlios para as autoridades (ir)responsáveis fazerem algo de verdade e resolverem o problema ao invés de medidas paliativas?
E assim, aos poucos, a alegria do futebol vai morrendo. O esporte mais popular do Brasil vai ficando triste, chato. Que se continuar neste ritmo violento e conivente das autoridades, logo somente teremos organizadas nas arquibancadas, com seus gritos de ódio e ameaças, e nós, que só queremos torcer por nossos clubes, seremos forçados a trocar a arquibancada pelo sofá, o gramado pela televisão e a emoção de um grito de gol por um sorriso contido.

2 comentários:

Juliano Ganzer disse...

Infelismente sei exatamente o que a família do torcedor avaiano esta passando nesse exato momento pois sou irmão do torcedor do Joinville que foi morto exatamente da mesma forma em 2006 após anos vemos mais uma família sofrendo a mesma dor exatamente igual mais apenas de times diferentes muitos se perguntam se o assassino que matou meu irmão esta preso digo lhes infelismente não pois e se ele fosse preso naquela época acredito que muitos casos semelhantes não teriam acontecido não e o acusado de matar meu irmão ficou dois dias na delegacia e não foi preso por que tinha trabalho e residência fixa pois é meu irmão também tinha ele foi acusado de forma culposa sem intenção de matar será que alguém que se dá ao trabalho de ir até um viaduto em uma Br. de madrugada pegar uma pedra melhor a pedra e jogar contra um ônibus em movimento não tem intenção de matar alguém sabendo que o impacto seria gigantesco tendo em média a velocidade do ônibus pois é já no caso atual o delegado agiu diferente julgando que existia intenção de matar pergunto a vcs como algo exatamente igual pode ser julgado tão diferente será que é por que quem foi acusado de matar meu irmão era bancário filho de um empresário o delegado que investigou o caso na época nos falou que não entendia o por que o acusado foi solto pois aviam provas contra ele e uma testemunha que era seu próprio amigo o acusando será que a justiça vê apenas o que lhe convém e julga somente os menos favorecidos. Agora para todos que freqüentam estádios ou torcem para algum time peço que olhem para a pessoa que está do seu lado olhe para a aliança em sua mão lembre de sua família irmão pai e principalmente mae e pense e se fosse com vc se fosse sua família sofrendo no lugar seria difícil não ? Por isso lhes peço quando forem ao estádio olhem para a torcida adversária e vejam que são pessoas assim como vc que estão fazendo o mesmo que vc e principalmente são iguais a vc filhos do mesmo criador será que um time de futebol é algo que valha a pena morrer ? Aos bandidos que comentem esse tipo de ato eu digo vcs podem escapar dessa justiça de mentira que é a dos homens principalmente a nossa brasileira mais lembre se vcs irão enfrentar uma justiça incrivelmente poderosa e dessa vcs não escaparão DEUS é justo e creio que vcs nunca mais irão dormir de forma tranqüila pois vcs tem sangue em suas mãos

Fábio Feijão disse...

Juliano,

Parabéns pelo seu relato e desejo força à você e sua família pela perda irreparável.

Abraços!
Fábio

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